ESTUDAR PARA QUÊ?

De uns tempos para cá, acho que começou lá pelo segundo semestre do ano passado isso, mas enfim... eu tenho me perguntado sobre: o que é estudar? Que sentido há em ler e escrever? Que sentidos há em estudar?
Que isso são coisas que algumas pessoas fazem por gosto, e outras fazem forçosamente e outras não se interam muito... é que ontem, a Quarentei me deu uma sacudida dizendo que eu sou estudante de forma intensiva. Eu não me vejo muito assim, mas aquilo que ela disse me fez retomar essa conversa comigo. Que eu tinha iniciado e guardado nas memórias e escritos.
Hoje, eu vasculhando uma gaveta da sala, em busca de um cortador de unha, vai vendo só onde a gente encontra e guarda cada coisa, achei uma caderneta onde coloquei alguns apontamentos desses pensamentos soltos e de alguns feitos a partir de leituras de alguns textos sobre literatura. Quando fui vendo aquelas palavras escritas por mim, eu fui vendo ao mesmo tempo em que lendo e ao mesmo tempo associando e lembrando e percebendo que a Mari tem um tanto de razão. Ainda bem que a gente tem os outros pra mostrar coisas que a gente não percebe bem.
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Numa primeira panorâmica, eu pesquisei um pouco sobre a escrita. A escrita, que tem 6.000 anos, veja bem.... surge na Mesopotâmia por questões de CÁLCULO.
Dá pra entender isso, que o homem começou a escrever pra contar boi? Esse fazer, o fazer da escrita surgiu assim. O cara sentava numa pedra, e numa espécie de bola-recipiente ia associando e colocando pra cada boi uma pedra , uma pedra = um boi, no começo do dia, o número de pedras que iam pastar deveriam ser o número de bois que voltavam pra dentro da bola-recipiente.
Aí, um teve a sacada que ao invés da pedra na bola, ele podia fazer um risco numa táboa. E que ele podia também riscar na pedra, uma imagem do boi. E os fenícios, ao invés da imagem/objeto pedra, usaram traços e identificações fonéticas para aquela operação de contagem. Eles estavam fazendo uso da língua, estavam inventando um "alfabeto".

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Essa primeira estória estudada, me levou a pesquisar sobre as matérias que os homens usavam para suportar essa escrita. Onde essa escrita se dava, ela era feita e guardada na argila, nas placas de argila. Era a tal da escrita cuneiforme, e tinha até envelope de argila pra guardar essas placa. Os correios começaram aí, né? Pode ser, mas então, os egípicios descobriram que do caule e das fibras de uma árvore, uma espécie de palmeira, era possível produzir um outro suporte. O papiro é para onde se passa a questão do suporte da escrita. E essa tecnologia durou um tempão, até a idade média mesmo. Tinha também o couro do boi que eles usavam, fabricando o tal do pergaminho. E o pergaminho era um suporte tão legal porque ele aceitava e comportava dois fazeres que eu agora nesses tempos tanto gosto, escrever e fazer pinturas.

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E eles foram juntando esse monte de papéis, que nem eu aqui em minhas gavetas, e alguém teve a idéia de costurar. Alguém não, dizem que essa idéia de costurar os papéis surgiu na igreja, que a gente sabe que era quem dominava as evoluções. Mas então, nesse costurado de papéis formando um volume você tem um livro. Olha que bacana, o livro foi uma forma que os homens inventaram para guardar um volume de papéis que continham escritas e imagens.

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Daí, por volta do século 15, surge a imprensa e os tipos móveis. Você já ouviu falar em xilogravura? Aqui no maquinomovel tem uma porção de coisas sobre isso, e se vc quiser pode pesquisar sobre... as primeiras produções da imprensa não eram lá muito bem feitas, e ainda assim os copistas continuavam a passar a limpo coisas mal feitas e acabadas.
Você sabia que o simples surgimento da imprensa não mudou muita coisa? Não que não se tivesse livros. Demorou um bom tempo para que a escrita viesse a explodir. Sabe quando a escrita explode? Ao surgir os LEITORES, isso mesmo, e tal advento só se dá no século 18. Querendo a gente ou não, esse lance de uma grande parte das pessoas poderem ter acesso ao saber ler só tem um tanto mais de 200 anos.
Daí você pode ver tudo isso de uma forma bela e ficar encantando com , ou pode achar uma das coisas mais estranhas da vida: UM INDIVÍDUO LENDO EM VOZ BAIXA UM LIVRO. ISSO É SIMPLESMENTE: ALGUÉM SOZINHO DIANTE DE UM PEDAÇO DE PAPEL.

Pois é... caro leitor, se você chegou até aqui, saiba que você tem parte nisso. Porque , chegando até o final desse micro-texto ao ler essas palavras e ver essas imagens, algo em você indivíduo começa a aparecer, é a crítica. Por você ter passado, até sem saber bem, por esse processo de trabalho acumulado da humanidade que já dura 6.000 anos e tem ainda um tanto de porvir...
saudações
andré

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