ESTUDAR PARA?

É assim mesmo, a gente vai dar voltas e voltas, as vezes sem saber em que tempo estamos, as vezes parecendo estar falando de algo atual vivido ontem. E voltando ao século 18, que eu te dizia sobre quando público, editores, leitores sofrem um boom de aparecimento, podemos ver nessa produção que um grupo social impõe poéticas para outros grupos. E assim, é preciso que alguém venha fixar isso, estar nesse intermeio. Esse alguém leva o nome de crítico literário. Acho engraçado porque a gente fala de um tempo do antigamente, mas é tudo tão recente...

Nos séculos 16 e 17 não havia crítico mas sim o JUÌZO ARTÍSTICO, que era uma espécie de campo normativo que regularizava as produções, se aquela obra está de acordo com aquelas leis, ok. A partir do século 18 isso não ocorre mais.

Durante o século 18, na Inglaterra, a emersão dos críticos se dá sobretudo com aqueles que estão trabalhando nos jornais. Na França, atrelada ao PROJETO ILUMINISTA, não se considerava a arte como campo autônomo, mas como uma forma coletiva de culto a razão. Ou seja, ARTE COMO PROJETO Á RAZÃO ILUMINISTA.

Lembra que eu te contei na postagem anterior, aquela do Homero, que partimos da teoria dos gêneros (prototipo da crítica literária) surgia naquela contemporaneidade grega. Pois é, com a progressiva normatização da teoria, explode um novo contexto. Na França, mesclada ao projeto iluminista haverá uma postura parecida a dos filósofos platonistas. Eles, os iluministas, quem dizem o que é e o que não é ARTE. Ou seja, não há ainda uma AUTONOMIA ARTÍSTICA.

Na Alemanha haverá uma crítica a essa visão iluminista. Se começarmos a pensar na Revolução Francesa (ápice do projeto ILUMINISTA), depois vindo o terror através do retorno do IMPÉRIO ( Napoleão), que cortava cabeças sobre qualquer argumento... dá-se início, na Alemanha, um movimento que passa a exercer crítica a razão, ao progresso, aos valores burgueses. Isso tudo vai se configurar numa busca de uma ARTE AUTÔNOMA.

Essa ARTE AUTÔNOMA não se submete a razão vigente. Funda e cria suas próprias regras. E essa é uma espécie de revolução INIMAGINÁVEL. Ninguém dita as normas, a arte não depende de valores extra-ela. Arte fundada em si mesma , cria um discurso que legitima a si.

Para Luís Costa Lima, a crítica surge como uma defesa da obra de arte, não submetida a nenhum outro discurso. Visa entender medos, leis, funções, etc.

Terá papel fundamental nesse momento crítico, um homem de nome SCHLEGEL. É ele um homem das letras que volta toda sua formação para ser crítico. Não se propõe a ser juiz sem valores éticos racionais. Passa a pensar a obra A PARTIR DELA MESMA: o que também leva o nome de AUTONOMIA.

Onde pensar a produção escrita = literatura. Antes disso, usar o nome literatura é anacronismo. Ou seja, usar conceitos de outra época, ler o passado com o contemporâneo: ANACRONISMO.

A teoria dos gêneros irá criticar a racionalidade iluminista. O que querem sobretudo criticar é que o iluminismo é pautado sobre SISTEMA, onde tudo pode ser colocado num quadro.

É possível pensar os fundamentos do pensar sem cair num sistema?

Kant vai assim responder esse questão sobre sistemas... para pensar um pensamento tem que recorrer a um pensamento. De como se produz a verdadeira poesia romântica senão, dobrar-se sobre si ? A cadeia do pensamento é infinita. O único a pensar é Deus. Somos seres históricos, vivemos sobre estruturas limitadas. E se o pensamento se produz numa cadeia infinita, pensar sobre o pensamento é o mesmo que exercer o desdobramento do sujeito pelo próprio sujeito. Não se pára de pensar. Buscar um fundamento para a subjetividade que não busque um Deus... Pensar a autonomia da arte é pensar a própria subjetividade. POESIA ROMÂNTICA.

Foucault vai dizer que, a poesia lírica romântica tem muito haver com a CLÍNICA ANATOMOPATOLÓGICA. O homem quer ser sujeito e objeto de si mesmo. É infinito? Não tem sistema, Deus, fundamento crítico: Foucault nos joga numa grande DERIVA CRÍTICA.

Nessa deriva, há que se ter gênio, em alemão WITZ= ENGENHO

Tem que ser tão esperto, ter a sagacidade de recortar um pedaço dessa cadeia que mostra o antes e o depois. Nem razão nem intuição. Não é pura deriva nem a coisa fixa. Recortar de tal maneira que se abra ao INFINITO. Esse recorte é o POEMA, obra de ARTE AUTÔNOMA.

Ser PARTE E TODO, FINITO E INFINITO (PARADOXO) .

A idéia de FRAGMENTO, vem daí...

O FRAGMENTO é o recorte escrito com uma sagacidade e também aberta ao infinito...

e nessas os alemães estão tentando uma teoria que não separe razão e afeto. Emoção. Estão tentando fazer com que a dimensão do afeto esteja na representação. Pensar e sentir. Onde não se separe representação e afeto e razão de emoção. Se você perguntasse a esses alemães: ONDE ESTÁ A VIDA DE VERDADE? Eles te responderiam: ONDE PENSAR E SENTIR ESTÃO NO MESMO ATO.

Ficamos por aqui

Abç

andré


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