guarda chuva!





São tempos de muda, sabe quando aquele guarda-chuva que você tem faz um certo tempo já não comporta mais o peso da chuva? É que ele já teve vareta quebradas pelas forças, tem buracos rasgados no tecido, e uma ponta que cisma em trazer água pra dentro como quem de tanto abrir-se quer mover-se para um fechamento. Ele carrega no corpo essa marca, de quem sabe que pode abrir e fechar pelo simples movimento de aperto de um botão automático.


Assim me encontro nos dias atuais. Foi esse um sonho que tive em noites atrás. Caminhava pelas ruas, em direção ao trabalho e somente mediante a chuva torrencial, ao acionar o objeto guardador, percebia que ele estava gasto pelo uso que tanto fiz. Eu dizia a mim mesmo, preciso de um novo, porque esse já serviu ao que podia servir.

Tenho visto na web, um crescente número de blogs que abordam a profissão. Isso é um avanço que muitos ainda não perceberam enquanto um belo dispositivo tecnológico de invenção pra nossa clínica cotidiana. De uma profissão pouco veiculada, dizem alguns em queixas, pra uma profissão que pode inventar-se em experimentações empíricas de formação de conhecimentos. É bonito ver isso, e há quem desconsidere enquanto outros discordam... enfim, são divergências, que bom havê-las. Anda circulando um pedido para que terapeutas ocupacionais enviem matéria a rede globo de televisão, em especial ao jornal hoje, para que produzam uma matéria sobre a profissão, que completa 40 anos no próximo dia 13 de outubro.

Nisso lembro do Marcus Almeida, que dizia que terapeutas ocupacionais devem ter vindo de Xangrilá, onde uma certa ingenuidade compõe os habitantes dessa terra. Cá entre nós, o que é uma reportagem apresentada num jornal vespertino de uma rede de televisão pra uma história de profissão de 40 anos de batalha árdua diária? Que peso e medidas estão sendo usadas quando aparentamos desesperadamente aparecer desse modo? Enfim... apenas constato o que cada um vai criando enquanto estratégia de perpetuação e propagação daquilo que faz.

Ando vertiginosamente apaixonado pela profissão a cada dia que a exerço, é paixão mesmo isso que sinto, porque é algo que não sei mais viver sem. Tal qual se fosse uma terceira perna que não temos mas achamos ter.

Na próxima semana acontece o 11o. Congresso de terapia ocupacional. Estou um pouco apreensivo, faz 8 anos que não vou em um desses. Espero que esse seja bacana, que eu possa encontrar pessoas com quem trocar achados e descobertas. Se tiver acessibilidade a rede informática-infoviária-internética, prometo mandar boas novas a quem estiver acompanhando a máquina aqui. Fico imaginando que isso aqui é uma espécie de veículo extra oficial, uma plataforma inventada pra dar conta dessa criação diária, que muitas vezes ocupa uma solidão desgastante por demais simplesmente ao promover um pensar de meus contornos criativos da profissão.

É isso mesmo, amores. Ando apaixonado pela vida. E isso tem me dado uma leveza que há muito não tinha.

Nuns encontros recentes pelo mundo conheci pessoas novas, e reencontrei velhas amizades. Descobri pessoas que se escondiam em sorrisos que eram seus jeitos de conseguir comunicarem-se, ouvi músicas clássicas com quem desabita lentamente a memória, ri, vi jingles, ouvi cenas, andei de carro na parte da carona acompanhando gente pra lá de interessante, cantei parabéns, bebi uns gorós, e escutei uma frase que me deixou pensativo. “ A gente precisa ocupar espaços onde possa seguramente se rasgar por dentro, e nisso abrir espaços outros pra se recriar.” O guarda-chuva em meu sonho, não foi em vão. Não mesmo.

Grande abraço

andré

Comentários

bagala disse…
Amigo, que bom andas apaixonado por viver.
Eu cá desse lado, ando revigorada! Acho que o desamparo explodiu com a casa e meus pertences. Ou
só consigo ter paixão por causas não individuais. Sei lá só assim mesmo.
Um alivio tomou conta de mim, as perdas passadas são irrelevantes, até tenho uma doze de compaixão, pela miséria do apego ao poder, "Verdades particulares", ganacias ilusórios de quem acha que detém o saber absoluto.
Tudo me é irrelevante, nem tenho ódio de quem explodiu a minha casa.
Será finalmente alcançei a iluminação, acredito que pirei de vez.
Interessante , ao seu texto pensei:-O meu guarda-chuva não explodiu, porque nunca tive um.Quem sabe não é chegada a hora de adquirir um.
Grande beijo
Namastê
cris disse…
Idéias, paradigmas e concepções são como guarda-chuvas: quando servem, ótimo! mas a gente tem que ficar atento ao momento em que estão cheios de buracos e não são mais úteis - ficar agarrado a idéias que já não servem ou não funcionam é como usar um guarda-chuva arrebentado ou que não abre embaixo de uma tempestade...
bjos, André, e bom congresso procê!

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