Feliz Natal para todos!


(fotografia, coletivo c.u.p.i.n.s, dezembro, 2009)

 Essa história é contada todos os anos, e atravessa a gente de um jeito que nos põe a refletir sobre os acontecimentos que ocorreram durante os dias que se passaram. Ela se dá como um ciclo, que fecha-se com um nascimento. Sobressaltos das partes de nossas crenças, porque essas lidam de forma direta com nosso poder de renovação.
Nasce o menino Deus, e com ele parte de nossas esperanças se mostram novamente. Está certo que essa é história de fé, cada um tem a sua. E por ser da fé, acomete nossas formas de acreditar que o novo pode vir de maneira anunciada, de maneira subrepticia, o novo vem também através do religar-se aquilo que nos move por crer.
Nesse dia, muitos estarão reunidos em torno de uma mesa, em volta a guloseimas, ou ainda sozinhos em seus sonos, ou insones, ou em abraços com familiares e amigos, faz parte do sistema cultural. Eu não podia deixar de pensar sobre isso com aqueles que comigo estiveram grande parte dos dias desse ano de 2009.
Lidar com os sofrimentos psíquicos das pessoas e com formas de torná-los um pouco menos pesados, é parte de meu ofício. Chega essa época e não tem como, sempre me vem um sentimento de compaixão. Como se ao perceber o outro em sua diferença, e de certo modo estar ao seu lado, pudesse também trazer a tona um pouco de renovação na força que o novo pode vir a ter.E fazer disso um presente a todos.
Ah, e de presente deixo essa foto que abre esse post. Ela é um fragmento de parte de um trabalho desenvolvido em grupo por dois meses, em uma das oficinas  terapêuticas que coordeno em um serviço substitutivo de saúde mental. 
Nos reunimos e criamos tudo isso a partir da vontade de cada um, além do papelão, tinta acrílica e cola. São personagens, enredos, narrações, histórias de vida sendo depositadas nos atos necessários para confecção de cada um dos produtos. Formas plasmadas na matéria, objetos despendidos dos afetos, dos pensamentos, das memórias, dos vínculos, das ocupações criativas desse grupo de humanos, que frente as adversidades impostas pelo processo complexo de saúde e produção de vida, puderam assim externar e internalizar jeitos outros de ocupar seus territórios existenciais.
Deu trabalho fazer, mas foi muito prazeroso. E tenho certeza que todos nós saimos dessa experimentação transformados. No lúdico nos encontramos, de um jeito que a criança criadora de cada um  viesse a tona, nos mostrando algo que pode parecer jargão mas tem sentido. A união faz a força, não há como negar.
Feliz natal a todos que acompanharam as postagens do maquinomovel em 2009.   Que esse seja repleto de felicidades, saúde e força.
Grande abraço
andré

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