a morte

Ah, se você pudesse ao menos ler as entrelinhas das coisas que escrevo, do jeito que eu de fato queria te dizer, não seria necessário criar metáforas ilusórias como quem banha de temperança agruras vividas no tempo atual.
Uma parte de mim agoniza, tal qual uma mistura de morfina gotejando, na tentativa de amenizar a dor vinda das perdas sofridas no real.
O corpo que eu tinha, e nele meus pensamentos criativos, hoje não encontram espaço pra expandir. Tudo enrijeceu nesse viver do agora. Os ratos tomam o poder em suas mãos, e as formigas se alimentam do que sobrou.
Fazer das palavras um acorde, amuleto, ritual, força para quem se encontra decompondo-se em tristeza.
Queria ser brando e leve. Não deu. A morte nunca é um espelho que te mira, ela sempre se reflete junto a ti. E por mais que a queiramos espantar tal qual um corvo, lá está ela a grunir.
Tanto tempo caminhei achando que a morte era a passagem final, tanto tempo acreditei que ela era inexorável. Aqui cheguei, nesse ponto interrogado maior. Vi que ela não era tão má e escrota assim. De fundamental importância, nada é totalmente ruim.
O que me faz sofrer não é ela em si, mas sim esses seres humanos que giram em torno de uma idéia de morte, querendo matar uma "época politicamente traumática" (?). Coitados. Não veem que o tempo, esse sim é o maior regente de seus sofrimento. Correm contra ele, numa tentativa tacanha de permanecer mais em alusívas formas de poder.
O tempo descolado da futura morte, fará deles seres muito complicados. Lhes sugará as forças, levando os mesmos ao fracasso que hoje regam em suas plantações.
Nada criam, nada renovam, de novo ou nova não vem suas forças temporais.
Difícil vai ser, pra esse ser agonizante, narrar essa passagem onde o que era para ser experiência de cura, fortalecimento e evocação de forças, se perde em meios arrogantes de orgulho e glórias vazias.

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