ERROR



Eu sei que isso passa por muitos lugares, e volta a passar diferente, não permanece sempre? Entra pelo orifício? Tem boca esse ofício? E olhos de ócio? Quando passa me mostra que ando as voltas enrolado com as palavras? Mas assim que faço desenvolto-me?
“A covardia é surda, só ouve o que convem!”nos disse o rei? Sim, tenho ainda por ouvir? Temo?
Terei coragem de expurgar esse dejeto que me percorre no instante anterior a escrita? Trata-se do lodo natural, imagem resgate da lenda límbica? Nenúfar do pântano?
Só amando o que me é sujo, que posso disso me desvencilhar? Não tem outro jeito? É uma batalha suspensa no campo entremeado do que posso ser? Entre aquilo que pulsa e aquilo que prende? Solta por entre meus gestos, maneirismos e afetos? Quero agora um sorriso leve por entre os dentes para não ranger ao mostrá-los a ti?
Liberta essa zona opaca do que penumbra em meus sentimentos? Para poder ser mais leve terei que atravessar esse estágio fantasma? Esse lugar de onde brota toda sorte de não saberes? Essa coisa engaiolada que brada entre o peito é parte de mim? Faz parte do muito? Convoca mundos?
Eu, imundo?
Espero estar não sendo mais eu? Seguir sem tensionar meus adiamentos? Esse respeito repentino ao silêncio me soa algo rigoroso demais? Pareço não saber do que se trata? Apareço ao relutar a suspensão levantada? Enluto o passado nesse instante garantido do agora? É isso que sinto e que se forma atual? Essa sensação de não mais terça? Aquela é a memória de minha mãe morta num caixão? Esse sentimento de só poder viver aqui? Nesse assim perdido entre florestas? Flores extras? Flor estás? Florestar?
Esse meu feminino i-mundo? Emudece a medida que escavo? Acontece na medida que escova? Gravo graves gravidades quando digito escavo-escova? Dígitos passageiros?
Já passei pela morte ou ela me atravessou? Terei agora, se me permite, que convocar a menina morta que não fui? E agora Inês, és morta?
Cruzo a linha revestida do desejo? Na fronteira que me encontro de verdade? Quando sou mais verdadeiro tu me aguentas? Desse colo de onde um dia fui lançado?
Mas como pode ele saber o que me fez se não o digo? Uma mágoa vem à margem desse limbo? Pedido de perdão? E quando menos quero rimas porque elas aparecem no meio do meu pensamento? Penso cantado essas conotações?
Para que tenho que reler o que escrevo? Se assim faço estou em busca de compreensão? Tenho que edificar o expresso? Pulso ou prendo?
A tramela escapoliu? A máquina está quebrada? Ou esse é seu jeito de funcionar?
Peço perdão a meu pai por algo que não é errado? O que é errado? Sou errado por não chegar a ser o que pretendia ou não se orientava na vida? Isso é ser errado?
Se for isso, venho de uma errância herdada? Errado rodear?
Arredo?
Rodera?
Sim, a máquina voltou a funcionar?
Se aparelho destinos na transmissão de forças, modifico direções ou intensidades? Isso é a máquina fisicamente pensada? Máquina lodo? Natureza exposta?


Comentários

Postagens mais visitadas