Fluxo filtrado


Sim, isso aparente começa a mostrar sua forma (objeto-quase?)? Tem aparência? Ou aparece como um tema que surge nas diferentes atividades cotidianas? Ajunta-se em volta da questão da liberdade?
E quando avançava os degraus da escadas que dão acesso a ponte que atravessa as linhas daquele trem, as linhas de fuga de uma estação, eu perguntava? Cruzava o portal aberto e em passos dizia: Sim, sou eu? Sim sou eu sentido-me livre? 
Mas sou livre no trato dos outros? Sou mais livre, ou menos, quando no convívio abro trechos, brechas e ocupações com tolerâncias? Se toleram a substância aumentam-se as dependências? A liberdade substancial, para acessá-la, hão de trocar por espécies coisas outras? Trabalho pingado do rosto em poder de troca? 
A liberdade associada ao princípio do prazer primário, quando o uso de todo o corpo era remetido a uma experimentação de voracidade e saciedade? se me permito não responder aquilo que questiono dou-me por satisfeito?
Mas é disso que estou em busca? De satisfação? Experimentar-se livre, ou experimentar-se sentir-se livre, está na ordem das satisfações para consigo? Está na ordem das satisfações para com o próximo?
Dou contorno aquilo que busco quando ponho-me em questão? Liberdade é um limite?
Estando eu, livre nessa existência, sobre a égide do arbítrio, estarei vivendo uma condenada liberdade provisória?
para que essa escrita exista na forma dessas palavras, tenho que pensar e ao pensar recordo em mim o exercício lógico Descartiano? É a isso que quero me entregar? ao penso que logo existo? Questionar-se ao ponto de tudo duvidar? duvidar curioso da própria existência? Suportar a dor do duvidar?
Suportar a transcodificação em 26 letras que se agrupam e dão forma a palavras que ecoam naquilo que dito configura-se sobre aquilo que ouso pensar?
E se penso tenho a sensação que penso? E se sinto pensar existo enquanto penso? Como percebo aquilo que sinto? Como percebo aquilo que penso? É só no corpo que suporto esse perceber? Esse pensar é carne também? Esse sentir pode ser abstrato?
E se despendo e plasmo uma matéria (como as palavras) através da ação de meu corpo a isso posso considerar parte de mim? Pertenço as coisas que faço? E se passo a me importar com o que faço posso considerar isso uma saída para o que percebo-sinto-penso? O que faço desse perceber-sentir-pensar? Se faço desse tríptico uma afecção que é cerne de minha busca através da atividade humana da escrita, estarei autorizando-me? Desvencilhando-me? Despendendo-me? Perdendo-me? Ganhando-me? Para que possa aqui logo em frente esquecer-me e avançar para não esquecer adiante por onde isso ou eu passei? Onde ocupei?
Mas perguntar-me é sentir-me perdido? Então não só de satisfações mas também garantias são constituídos os  meus quereres? E se quero, desejo? E se desejo exercito o arbítrio? E nisso escolho sempre? Escolho por sentir-me livre para isso? 
Devo cuidar de minha liberdade? E se cuido do que estou livre no perceber-sentir-pensar, posso dar a esse cuidado um ar curioso de invenção criada? Seria isso pesquisar um certo cuidado de liberdade? Liberdade em cuidar-se? Perceber-sentir-pensar até um extremo, um excesso, que exija de mim tamanho mal-estar com relação ao existir, tamanho prazer ao achar-se criando, que suscita que eu veja-me na necessidade urgente de dar ou fazer da atividade do perceber-sentir-pensar outra coisa que não ela em si própria?
Filtro um corte seco aqui...

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