tomado

Já se sentiu, e ainda se sente, tomado pela natureza a tal ponto de não se importar mais em nomear aquilo que percebes porque nisso não há palavras que deem conta do que se passa em ti?
Percebe que as palavras não suportam tudo aquilo que se pode ser?
Que a língua vivaz da linguagem apenas ousa tocar num discurso acabrunhado a parte do indizível que entre nós se estabelece no que convem ser chamado da casa do ser?
Não vem em letras, em palavras, em imagens, em obras, em evocações, em coisas inomináveis porque estas não fazem parte do que há de mais genuíno?
E tudo isso é tão autêntico que transformar em léxico apenas encaixota a coisa vivida em uma formatividade insuficente?
Que sua fé, espécie de sacerdotia, religa pontos frágeis do que é por si incognoscível?
E tudo é de tamanha potência que por horas se pergunta : estarei tomado desse sonho absurdamente abismal? 
Realmente, desse sonho absurdamente abismal?

Comentários

Denise Dognini disse…
Sim, já me senti tomada pela natureza, a ponto de considerar aqueles breves momentos os mais felizes da minha vida, e relembrá-los nos momentos de desespero como uma porta aberta e uma lufada de vento e luz natural.
De fato, indizíveis, indescritíveis. Só a experiência e o coração conseguem compreender tais momentos.

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