embolados da catraca




Ali não pude alongar a prosa. Acabara o espetáculo, é certo. Então me disse em som piano no levantar da platéia ignorada:
_ Melhor não dizer nada, você não me viu aqui.
Assustei com esse encontro totalmente inesperado. Acontece na ordem do inusitado, e isso te chapa o instante, te chapa no instante grudando o imprevisto a uma enorme improbabilidade de ocorrer. Ouvi bem o que era o dito. Saí andando em respeito a palavra que quando vinda de sua boca para mim tem sempre o tom de verdade e implacável respeito. Mas não deixei de pensar. Todo o contexto ajudava a curar aquela constatação. Fantasias da presença de fantasmas? Encontros com inimigos sempre me deixam perplexo, e ali tirando ela os outros que a acompanhavam eram da ordem oposta ao bem estar.
Fazia tempos que não os revia, faziam mais de 6 meses. E quando não aguardamos um ocorrido dessa esfera, assim como não esperava essa reação de sua parte, parece que uma pulga estratosférica pula e orbita atrás daquilo ouvido. Isso se deu. E fiquei com a impressão que fico cego de muita consideração, as vezes a quem a mim nem tanta tem assim. Comentara antes que praguejara aos ventos o não saber de minhas andanças.
Pensando bem, fosse outra pessoa até sentiria uma ponta de desprezo no comentado. Mas ali com ela sei que o recado estava dado assim dessa forma sussurrada. Por mais irônica que possa ter sido, o que dizia tinha cabimento, nem que fosse dúbio. Ademais aquilo que dividimos por um período de tempo em convívio no assistir de toda montagem fora suficiente para sabermos que, apesar de as vezes a vida nos pôr embolados na catraca, estamos vivos e cada qual fazendo sua parte onde o barulho da velha respiração é essencialmente o fundamental.
Não queira mesmo conversas de versos forçados com o restante. Nem muito menos fingir ser sociável com outras partes e pessoas a quem pus em morte no esquecimento. Ainda descubro vingança em meu ser, difícil esquecer o que se mata.
Fosse hoje sexta feira 13, novamente diria que fantasmas se divertiam no calabouço do silêncio. Mas sendo tempo entre - aberto de final de sábado com ponteiros rumando pra um domingo outro- permaneci calado. Como quem raciocina se deve ou não cuspir a casca ou sementes de uma fruta chupada quando ultrapassamos seu final.
As vezes lembro da proximidade vivida no antes da distância. Reconheço que me afastei. Ao mesmo tempo queixo-me de um futuro que só existe em devaneios e lembranças, nada próximo do que perdi nem nunca tive. Se assim fosse seria muita crueldade infiltrada entre nós. Pensando bem toda vez que a reencontro me diz: lembrei de você! Pensei em você! Um jeito de fazer agrado com nem sei bem o que, hoje sei. Por fim percebi que na catraca, mesmo que tentem me deixar ali embolado, não mais caio nessa armadilha.E como remetia o anunciado daquele teatro: resta pouco a dizer. No respiro, segui.
Abç
andré    

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