As Masculinidades na T.O- Composteira 3



Companheires e Companheires, quero pensar que, melhor ainda, desejo não estar só nessa questão. Essa que me fez retornar ao maquinomóvel para escrever sobre algo que me é importante nessa altura dos vôos com as palavras. As palavras!!! Esse fardo, porque tenho com elas uma relação difícil. Sempre digo que falar e escutar, mas sobretudo conversar, é o fazer humano mais complexo que existe. 

Eita que a cabeça, quando num processo de escrita, devaneia a milhão, loucura própria (ou compartilhada) pelos/nos campos daquilo que convenientemente chamamos de cultura. Fico maquinado.  

TUDO É 100% NATUREZA E 100% CULTURA. ( Edgar Morin)

Fiquei viajando esses dias nesse tema das MASCULIDADES, e sei justamente o momento em que essa questão me foi reconduzida. Mas ainda é cedo pra dizer profundamente sobre ela, porque estou no início de uma formação baseada no pensamento de Winnicott. E seria imaturo de minha parte trazer essa abordagem agora, quando ainda estou em processo de amadurecimento nesse modo de ler o humano. Um dia te conto sobre minha hipótese formulada, a gente chega lá... Só te antecipo que essa tem a ver com o fazer humano, grande área  de interesse de terapeutas ocupacionais.

Voltemos a programação...  a  foto que abre esse post, eu lembrei dela nem sei como, sei que me veio essa cena do filme que vi e revi algumas vezes na sessão da tarde: CONTATOS IMEDIATOS DE 3O GRAU, de Steven Spielberg, um cláaaasico. Um menino abrindo as portas de casa pra ver as naves voando, depois... depois ele é levado pelos OVNIS. E toda saga é realizada pra resgatá-lo, mas sobretudo, para se descobrir verdades sobre a vida... mesmo que seja lá fora. Pros ETS o humano era o estranho da história, e vice versa, mais versa do que vice. Tá! E daí? Que isso tem a ver com essa escrita toda?

Spielberg, nesse filme, propõe como Método de apresentação do "estranho" 3 graus de aproximação. O 1o grau é da ordem do AVISTAMENTO, ou seja, tornar visível aquilo que nos é "inaugural". O 2o grau é de EVIDÊNCIA, ou seja, recolher ou coletar vestígios e provas de que o fenômeno existe. O 3o grau é o CONTATO, ou seja, produzir uma proximidade, relação ou comunicação entre os seres viventes. Pois bem, foi o que fiz durante essa semana. CONTATOS IMEDIATOS DE 3o. GRAU.  Diria que esse foi um desenho metodológico usado nas breves pesquisas de campo que realizei...

No domingo, Sancler, de quem já falei aqui no blog, meu amigo desde a faculdade, me manda uma mensagem no whatsapp dizendo que gostou de me ver escrevendo aqui. Disse ainda que lá no hospital onde trabalha são 4 BRO.TS (brou-tees- male OTS)  e que seu mentor no doutorado também. Isso me fez pensar: como seria isso pelo mundo? 

Voltando a "pesquisa". Eu vinha da leitura do artigo da Figueiredo et al(2108) [ cujo link vc encontra na postagem da composteira 2] onde ela mencionava o artigo MEN IN OCCUPATIONAL THERAPY, cujo link está aqui abaixo: 

 https://ajot.aota.org/article.aspx?articleid=1880515

Ao longo de alguns meses, tenho seguido no Instagram outros homens Terapeutas Ocupacionais espalhados pelo mundo. Minha curiosidade é saber o que publicam, o que discutem, os interesses na profissão e na vida. E também acompanhar como colegas distantes da área. Com a maior cara de pau, encaminhei em mensagem privada uma breve justificativa para o contato. Nela dizia que era do Brasil, falava que éramos poucos na profissão e finalizava com a pergunta: COMO É PARA VOCÊ SER HOMEM NA T.O?  

Falei com 3 dos Estados Unidos, 2 da Espanha, 1 da Índia, 1 do Chile, 1 de Taiwan, 1 do Iran e 1 de Portugal. 8 me responderam. Todos diziam que haviam mais mulheres na profissão, 5 de 8 trabalham na área física. Todos os 8 se propuseram a conversar mais. Não aprofundei muito os diálogos, mas sinto que deixei portas abertas. Quantitativamente esses foram os dados produzidos. Mas como aqui não se trata de uma pesquisa acadêmica, e sim de um blog, meio ensaio, meio literatura barata, meio diário, me dou a liberdade de escrever o que senti/pensei/transformei a partir dessas primeiras conversas.

1. 

O primeiro me responde que definitivamente as coisas são iguais em seu país, porém vê mais e mais homens na T.O a medida que a consciência do campo se expande. Disse ainda que pessoalmente gosta disso, pois percebe que o maior número de casos, por ele atendidos, são de meninos e que esses se conectam de forma diferente com um modelo masculino. Que podemos fazer uso desse impacto na população se houver mais de nós. E finaliza torcendo para que eu continue na profissão fazendo o que tenho feito. 

Essa primeira reposta vinda de alguém que não conheço pessoalmente, produz em mim um sentimento de compreensão. Parece muito com a "idéia" de acolhimento usado nas produções de saúde (principalmente na mental). Depois me faz devanear sobre dois pontos: a questão da origem da profissão confluir com um período histórico onde um movimento de feminização das forças de trabalho operava-se na sociedade,  fruto da entrada das mulheres no mundo do trabalho, em especial na "especialização da saúde criada entre guerras" onde os homens estavam na luta e voltando dela adoecidos. E sobretudo a outra foi de me atentar sobre a questão da saúde do homem, desde a infância, de como é importante termos referenciais de homens que sabem cuidar de si e dos outros.

Vou parar esse post por aqui com  essas duas questões que a gente pode escavar depois. E Também pra não ficar muito cumprido/textão. Blz. Caso queira conversar sobre, deixe aqui seu comentário. Ele será publicado apenas se você quiser. Também deixo meu instagram caso queira me seguir por lá: @maquinomovel Fiquem com o trailler do filme. Amanhã tem mais...










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