AS MASCULINIDADES NA T.O- COMPOSTEIRA 8 ou O QUE TE TORNA HOMEM PRECISA CONVERSAR COM O QUE TE TORNA GENTE.



(Business Boy-  xilogravura. André Nunes nov 2009)

Chegando ao fim essa etapa de com-postagens onde apresentei mensagens trocadas entre Terapeutas Ocupacionais espalhados pelo mundo, a partir da pergunta: " Como é pra vc, ser homem na T.O?". 
Antes de te mostrar a última mensagem queria te contar algo que me interessou por uns bons anos na vida.
Eu tinha um verdadeiro fascínio por macacos. Acho esse animal  fantástico, porque me faz lembrar muito o humano. Durante anos colecionei estátuas, brinquedos, imagens, desenhos... e esse tema me fazia observar as pessoas de modo muito ímpar. 
Mas a origem dessa curiosidade tem uma matriz (como no processo de xilogravura, onde a placa mãe produz cópias). Foi no livro PORQUE ALMOCEI MEU PAI? de Roy Lewis que encontrei alguém que conversava sobre isso. 



Nele, o relato de Ernest sobre uma horda de homens-macacos pré-históricos que vivendo no período Pleistoceno, decidem juntos os rumos da evolução da espécie. Vale muito a pena ler. Além de um humor extraordinário te fará ver as atividades, relações e processos de transformação e acomodamento de um jeito muito único. 
Outro livro que também indico sobre esse assunto é O MACACO NU de DESMOND MORRIS. Nele, um olhar profundamente zoológico destrona o ser humano desse lugar frente ao "reinado" na natureza. Com cortes cirúrgicos te mostrará que nem todas as atividades ditas humanas, são bem ou tão humanas assim, além de nos apresentar parte da inteligência e conduta dos símios e descobrir que não passamos de uma espécie outra de macacos. Sem pelos (ou nem tantos!!!kkk) . Vale também a leitura. 



Por fim, nas buscas de histórias e imagens de macacos, minha amiga Roseli Montanari com quem trabalhei alguns anos me apresentou um Deus Indu chamado HANUMAN. Um mito lindo que aborda a devoção, altruísmo e heroísmo ao auxiliar nas tarefas e também no espantar demônios. 


(Clique na imagem e entenda o simbolismo presente entre Hanuman e a Covid-19) 


A história de Hanuman nos levará ao último relato. Vindo da Índia e que me arremessou ao início dessa jornada.  

6. 


 Yes sir. There is a same condition in our India. Also. Sir r u studying or u pass out and doing a jobe? What about your salary? Package in one month? What should i do for get the job after my ot graduation? 

Sim senhor. Existe a mesma condição em nossa Índia. Então. O senhor é estudante ou já se formou e está trabalhando? E quanto ao seu salário? Pagamento em um mês? O que devo fazer para conseguir emprego após minha formatura? 


Quando li a mensagem desse amigo virtual indiano, com mais perguntas que respostas, imediatamente fui lançado a primeira conversa que tive sobre esse assunto com um Terapeuta Ocupacional aqui do Brasil. 

Eu estava prestes a me formar. E aquilo produzia em mim um dúvida sobre como um recém formado conseguiria emprego pra sobreviver na área que escolhera como profissão.

A pergunta: COMO É SER HOMEM NA T.O? foi o modo que encontrei de falar com ele sobre isso. Era e não era exatamente sobre isso que eu queria falar, me compreendem? 

Lembro a cara de espanto dele com a pergunta feita. Que gerou um certo mal estar. Ele respondeu perguntando se eu estava em dúvidas de ser homem. Respondi que não. Mas que achava estranho ter poucos homens na profissão. Além de tentar me encaixar nas qualidades ditas por Slagle sobre ser terapeuta ocupacional. 

 Os estereótipos de habilidade para o cuidar e com tarefas que envolvessem movimentos finos e de bondade e paciência constituíram qualidades exigidas para as primeiras terapeutas ocupacionais e determinaram a questão do gênero na profissão.  

Ele em parte compreendeu. E passou a me dar alguns conselhos. Disse que era fundamental ter boas relações com as mulheres da profissão, porque de fato enfrentaram e enfrentam uma luta diária para manterem essa existindo.

Também me falou para tomar cuidado nas relações que as vezes me levariam ao lugar de "menino" ou Andrezinho, como se fosse uma forma de tutela em nome de um cuidado institucionalizador.

Lembro também que me falou para não me envolver com dívidas grandes ao mesmo tempo, como comprar um carro e reformar uma casa. Que isso geraria uma falsa impressão de que não era possível viver com o salário da profissão.

Sei que um mal estar da conversa ficou, que anos depois consegui resolver com ele. E hoje agradeço essa consideração que ele teve comigo.


Pra gente fechar esse ciclo dos gringos e rumar ao solo nacional. Eu queria falar sobre umas coisas. A primeira é sobre a questão das qualidades dadas aos homens na atualidade. Se eu te pedir 2 palavras que vem a sua mente quando eu te digo: HOMEM. Quais seriam?

 Pois é... vou te propor uma atividade.

Faça o seguinte:

1. Abra uma aba guia na internet e entre no Google

2. digite a palavra HOMEM

3. escolha a opção Notícias.






VIOLÊNCIA será a tônica da maioria delas. E isso abre muitos campos de diálogo sobre esse assunto. Mas eu queria um dia, quem sabe, puxar uma brasa  pra nossa sardinha dessa questão. Pensar sobre essas ATIVIDADES VIOLENTAS, ou Ocupações onde a violência está enraizada e constitui os modos de viver de muitos homens... O Dark Side das "ocupações".

 Talvez a gente ainda não tenha deixado tanto de ser animal como nos iludimos em pensar. Ou talvez seja um grave problema do sistema social como um todo que precisamos aprender a mexer. 

Por fim, deixo a dica de uma obra prima que fala muito sobre algumas coisas levantadas durante essa escrita aqui.  O filme  Dois Perdidos numa Noite Suja (Braz Chediak, 1970).




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