As Masculinidades na T.O Composteira 4




Let´s Talk... no mesmo dia em que encaminhei mensagem aos T.Os espalhados pelo mundo, convidei 2 aqui do Brasil para uma conversa. São T.Os que assim como eu, cruzaram a fronteira entre Arte e Saúde e que tem uma produção paralela a profissão. Um que para além de T.O é artista plástico, e o outro que é poeta. Essa conversa ainda não aconteceu, quero antes definir melhor um desenho que abranja o estado de arte dessa questão que tem se mostrado encantadora para mim. Os primeiros traços dela já tenho, mas ainda preciso escavar mais fundo a questão. E como faço isso? Mergulhando no problema, lendo sobre o assunto, pensando cá com meus botões e algo que vem me surpreendendo, recebendo feedbacks de colegas de profissão e amigos virtuais. Vamos então aos trabalhos...

2.

Na noite do dia em que recebi a resposta do 1o. T.O, chega no directs do Instagram uma resposta sonora de outro T.O. do estrangeiro. Ouví-lo falar produziu em mim uma espécie de RESSOAR... um ECO significativo. Sendo T.O a gente consegue analisar a atividade de muitas formas, e eu quero te dizer isso de outra maneira. 

Dentro dos componentes que classificam as atividades humanas/participação presentes na CIF (Classificação Internacional de Funcionalidades- documento criado pela Organização Mundial da Saúde que visa construir uma linguagem unificada e padronizada sobre aspectos das capacidades e incapacidades das pessoas na produção de saúde e bem-estar), os domínios referentes a comunicação-recepção estão atrelados aos meios em que essa se realiza. Quando ele me encaminha um arquivo sonoro, e eu do lado de cá o escuto, dentre tantas capacidades realizadas duas me chamam atenção. d310- comunicação- recepção de mensagens orais. (Compreender os significados literal e implícito das mensagens em linguagem oral, como distinguir se uma frase tem um significado literal ou é uma expressão idiomática). d3600- utilização de dispositivos de comunicação. (Utilizar telefones e outras máquinas, como fax ou telex, como meio de comunicação). 

Sabendo que ele fala em outra língua, que não o Português, e mesmo assim me encaminha uma resposta a partir de minha escrita (traduzida pelo Google tradutor), a TRADUÇÃO de sua mensagem sonora me fez despertar para aspectos presentes na voz/som. Ouvir essa língua estrangeira e no momento da escuta compreender, caberia em que domínio da CIF? Vou chutar uma, dentre outras possíveis, e se você que me lê quiser ajudar, estamos aí...chuto que sejam a b16700-  recepção da linguagem oral e b1672- funções integradoras da linguagem. 

mas que cargas d'água vc colocou a CIF aqui nessa parada? É que pra CIF essa questão do gênero, sexo, raça, idade, estilo de vida, hábitos, criação, estilos de enfrentamento, antecedentes sociais, profissão, etc. estão presentes naquilo que caracterizam cada pessoa, são denominados fatores pessoais. E isso ao mesmo tempo que não é possível ser classificado impacta nos resultados das intervenções propostas no âmbito da saúde e funcionalidade das pessoas...

Mas vamos ao resumo da mensagem.

Ele me saúda e pergunta como estou. Diz que em seu país os colegas homens tem crescido e é uma realidade, percebe que isso é bom. Fala também que o trabalho dos homens na terapia ocupacional é super valorizado. Percebe que os homens se dedicam mais as áreas da saúde física que a área da saúde mental. Porém ele transita por ambas, é especialista em neuro reabilitação e também na área de integração sensorial. E assim vem movendo-se. Pergunta se é isso que eu queria saber. Se disponibiliza a continuar a conversa caso haja mais dúvidas. E finaliza com um abraço desejando votos de que esteja tudo bem.  


Sua fala me faz pensar sobre alguns aspectos da profissão, um deles é a possibilidade de se habilitar em áreas especializadas (as vezes distintas) sendo o movimento entre essas uma espécie de aventura. Essa questão dele empreender uma carreira profissional "dupla", no sentido de que possivelmente lide com públicos de faixas etárias e demandas diferentes, me fez chegar a um texto que fala sobre vocação ocupacional e gênero. Nesse estudo MARTINEZ et al (2017) aborda questões presentes nos estudantes da área da saúde onde são mapeados aspectos de "género y las ocho dimensiones de intereses vocacionales (Altruismo, Liderazgo, Erudición, Análisis, Aventura, Creatividad,Organización y Producción)." (p.348). Nessa, algumas características ficam ressaltadas mais nos homens e outras nas mulheres, e a análise do intercâmbio entre as dimensões é bastante curioso. O link desse texto vc encontra aqui abaixo:

http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S1692-715X2017000100022&script=sci_abstract&tlng=pt

Outra questão é a confirmação de um dado presente no artigo MEN IN OCCUPATHIONAL THERAPY (cujo link vc encontra na composteira 3), lá é dito que os homens presentes na profissão estão em maior parte nas áreas da saúde física.

Por hoje vejo que essa impressão de estar só aos poucos vai ganhando outros contornos, e a demanda por conversarmos sobre isso é uma  criação possível e salutar para homens e mulheres.

Fica aqui o clip da música TALK do Cold Play, pra gente não perder a vibe dos CONTATOS IMEDIATOS DO 3O GRAU... Abraço, pessoal! Boa semana!




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