Minha-uma (des)-Razão



Manicômios foram (e ainda continuam sendo em muitos lugares e relações) locais construídos por uma forma de pensar humana que segrega as diversidades e vê nelas um perigo a razão e a ordem social. Os loucos e os estranhos, “personagens” dessa trama de reclusão e exclusão, acabaram abarcando o papel central nesse longo processo de preconceitos.
Com a desconstrução dos manicômios e as tentativas de construção de uma sociedade sem os mesmos, uma “sociedade sem manicômios”, o que se pode ver é que essas relações de poder de enclausurar o diferente vão muito além dos muros que separam o louco do normal, o igual do diferente, a razão da desrazão.
A possível destruição do manicômio não está apenas na desconstrução do prédio que abriga o hospício e seus personagens, nem nos muros que separam os loucos do restante da cidade, nem na política de implantação de serviços novos, nem nos decretos de lei que exigem a montagem de serviços substitutivos . O maior manicômio que existe, e que é por direito de todos sua desconstrução, é o manicômio mental.
Manicômio mental no sentido das relações e pensamentos que segregam as diferenças entre as pessoas através de critérios de verdades absolutas. Dando a cada um, um lugarzinho pequeno e escondido no psiquismo para viver sua própria loucura, e ao mesmo tempo impedir que se possa existir, viver e pensar loucamente em uma “lógica de desrazão”.
Distribuir essa desrazão, para cada um, mas ao mesmo tempo impedir que cada um possa expressá-la: assim trabalha o Manicômio Mental. Nas relações entre as pessoas, que frente a um “ato louco”, taxam como mentira e desrazão o direito a diferença. Quem tem A razão? Se é que HÁ uma só...

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