PEDRA-TEMPO parte 3


sentia um futuro ainda que dizem línguas que futuro não mais é o que ali se apresentava digam que a saudade-operação do ontem- era mesmo parte saudada do que não tive e que digam futuro que assim não teve é saudade operando em sede de possibilidades em “se” de possibilidades era como dizer “ e se”... já não dando mais importância ao “se” desse pequeno pensamentos
era como ter saudade de um algo que nunca se teve e esse alo sempre operava em falta de possibilidades que viriam a possivelmente ter mas que nunca se teve porque esse algo nunca houve pergunto-me se isso é compreensível se sofrer por algo que nunca existiu
quanta lamúria para o desconsolo de saber que se existe que nem sempre corresponde aquilo que tanto se almejou e o leitor pode agora ver nesse que escreve uma lamúria exagerada ou uma lamúria repetinte que se desvencilha de um lado por demais cruel e margo que todos temos e que não sabendo tê-lo opera em lamentos foscos e por demais incômodos ao que agora prezo a escrever e já cansei de reclamar da pedra pois esta deixava com que eu não viesse a gerir minha própria incerteza essa pedra era um pedregulho de obsessão
entendes o que quero dizer desse chorinho que nem se presta a ser canção mas que vive a se demorar como demorada é a vida toda que se repete e se repete e se repito tudo isso é porque ainda tenho mesmo o certo pra contar ela vem e vem e vai e vem e vai e vem que não tenho tempo a perder pois o tempo é unidade amorfa intentadamente desconcertante
que a juitos aparece como antes e a tantos como devir e aos meus é somente em agora que o tempo se mostra e ele e agora não é capturável ele agora era essa escolha entre o bicho verde e a pedra
o tempo o tempo ou algo outro mais é apresentável assim e nunca e vem que sem saber mais até me expressar deixei cair xícaras de nada mais nada menos e eleas espatifaram-se esmigalharam-se em cacos que pareciam granitos de pedra e ao ver aquilo quebrado trincado fragmentado era eu que ali estava eu ali era objeto-quase-caco
eu acordara em repentino estalo dessa idéias que caiu aos montes no dia que transcorreu pela incessante incerteza da pedra-tempo falta um certo motivo e isso é o que mais gera esse incômodo o de sentir falta de pedra o de sentir falta de unidade no tempo que a pedra se deu por bem desaparecida do perceber que era mesmo o tempo que eu catava em busca de algo mas o tempo como já repito é incapturável
e assim o sendo é não mais real a falta de pedra pois incapturável é da ordem daquilo que não se representa mas que se apresenta e isso também redefine o incômodo de dar vazão aos sentidos de se procurar sentido algum para tanto e sentido algum para mim
é com urgência que procuro esse algo que agora mesmo se mostrou amorfo e agora mesmo não ganhou nenhum sentido e procuro como quem procura encontrar a quem se destinam essas palavras que podem ser carta que podem ser contas que podem ser muito a muitos dos que agora vivem nesse momento em meus pensamentos
pois bem que o final se é que final existe mesmo torço para que eu opere em frequências mais esperançosas como o bicho-verde que me pousou a janela e eu confesso que pensei em espantá-lo mas era tão frágil e era mais cômodo espantá-lo para um longe que não é distância esse longe é da ordem do esquecimento mas voltemos as palavras que transbordam dos malucos e pesados sentimentos e pensares que agora tenho cá comigo e que vem com uma força que não é nada do nadinha de nada de conter com contentamento inscrito que ordeno as aventuras de mim por esse pedaço de época e destroço de mundo-amorfo-pedra-tempo-estranho visto que assim permaneço em esmorecimento troncho que serve as vezes também para botar a vida vidinha de nada em ordem e falar adeus ao que nunca tive e essa época outra apesar de me formar hoje e caber como roupa apertada do enfim
essa época hoje era dia roubado daqueles muitos que são o que gostaria que estivessem mais perto mas que uma certa distância fez com que nos afastássemos para um longe que nem tão longe assim o é é mas é uma espécie de longe como longe é saudade repartida em pedaços de espera e esse longe é pois como já disse da ordem do esquecimento
longe mesmo até de mim o mesmo de sempre porém recolhido às vezes de vez alguma dessas vezes que então vem e vindo não fica senão no vivido de estive com esses também
e queria me deitar num certo lugar assim bem próximo e próprio da propriedade de não ter em certo próprio nem próximo assim haveria de haver e nada do nadinha nadaria por entre nós como peixe a flutuar em cardumes de ansiosas lembranças que tive agora e que fizeram de mim esse amorfo troncho que desentende a logiqueta desenhadinha das palavrinhas que adentram o campo do perceber e perceber o que é e não é pois ser é tão triste e tem porvires alegres e devires tortos e existires ocos e sentares vazios e seres humanos e logicares a logiqueta do brinquedo que tirei agora aqui mas como já disse ao leitor

Comentários

Postagens mais visitadas