22' 37"


andre nunes 2007

Quando a bomba ecoou sobre os monitores, estilhaçando o existido em vários corpos fragmentos dispersos, eu te conto, Absurdo, que minha vontade era ganhar ao menos uma explicação plausível para o ato brusco de de repente não aceitarem a presença na rede relacional articulada. Fuçava em minhas idéias para ver se sobre meus ombros havia algum resquício de responsabilidade sobre o que aconteceu, mas vasculhando tudo, todo o território e aquela ocupação reinventada, percebi que era meu sentimento de mea-culpa-cristã que fazia com que eu não percebesse que ali já havia se anunciado a morte de todo e qualquer contato, antes mesmo da explosão. Quem pilotava o tal veículo não tinha competência suficiente para tal empreitada viva visto que era assustadoramente forjada e fake sua vontade de ser obra, e sua obra era morta e nojenta. O que posso te disser, Absurdo, é que quando bombardeios internos e externos fazem padrões de comportamento cairem e quebrarem, costuma acontecer de (após esse primeiro caos) haver uma expansão da consciência e abertura de novos caminhos. Nesses caminhos somente em meus amigos tive aceitação, porque em nenhum momento me cortaram a existência de suas existências, sabendo respeitar a diferença, Diferença essa articulada em sua apocalítica boca-oca de assuntos (senão a morte e suas querelas) através da bela palavra Alteridade, Alteridade essa que seu egoísmo-egocêntrico não lhe permite perceber. Por fim, após recolhidos os escombros e fragmentos, o que se faz de melhor na vida é observar o que vai ocorrer, o que vai ocorrer quando a obra em-re-des-cons-tru-ir aparecer...

Comentários

Rose666 disse…
OK! É ISSO AI
BEIJOS
EHEHEHE

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