DE ONDE VI, DALÍ


(Foto:ANDRÉ NUNES, Barcelona, 2007)
Dali, vi você apontar para aqui. Era procura de um sinal-simbólico que fosse para que pudesse saber que havia sentido no caminhar, que toda a desconstrução não foi um vão. Peregrinação, somente hoje foi possível perceber. Ao abrir os livros letrados e repletos de imagens, as palavras assim elucidavam o que foi busca. Do olho tiravas um umbigo marinho, uma estrela flamejante na fotografia em preto e branco. Cinco pontas formando um símbolo do microcosmo humano, do microcosmo marinho, natureza ao alcance das vistas.
Dali, vi você mostrar numa janela do mundo, a foto colada com durex (isso era visível), uma forma representada como olho, de onde brotavam raios de mar. Te digo, Dali, que a qualidade dada por você à humanidade foi a de luminar, tornar lustrável o que em muitos instantes fica difuso tamanha pequenez de nossos atos. Uma peneira de água, testemunhas de animação, um símbolo do princípio da vida. Então te pergunto, Dali, serão estrelas nossos duplos na constelação? Serão estrelas pontos de referência do tempo-espaço ocupado pelos homens?
Dali, de onde te vi, após a explosão da contradição, no 17o. Dia do mês que passou, vi na janela Centros de Luz.

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