XILOACONTECIMENTO-1. CARTOGRAFIAS OCUPACIONAIS- coordenadas da maquinoativação-7.

(xilogravura, andré nunes, 2007)

Devo começar de onde a impressão dessa idéia-postagem? Que agora ganha forma escrita, e as palavras reservando saltos quânticos e nervuras de entendimento de processos vividos no interior de um campo criativo, mesmo que de antemão já saiba que tudo isso poderá nunca ter a integralidade de seu entendimento, visitante, penso ser necessário comunicar os acontecimentos que se passaram e que ainda não ganharam o tônus de “unidade mínima com som e significado que pode, sozinha, constituir enunciado;forma livre”.(significado primeiro de palavra no NOVO DICIONÁRIO AURÉLIO SÉCULO XXI)
Primeiramente atendo aos alertas que um dia Nelson Bala, um compadre, me disse. Ele falou mais ou menos isso que tentarei te passar aqui, tem haver com uma teoria da linguagem e da comunicação, e acho pertinente se a gente puder assim nos ater aos enunciados operantes na vida. Entre o que se sente e o que se torna língua/palavra há falhas-ruídos, espécie de “buraco”, entre o que se sente/pensa/interpreta-se e aquilo que se forma em idéia-pensamento há- uma falha, entre o pensado e a formação de palavras que articulem esse acontecimento linguístico- outra uma falha, entre a palavra veiculada e o meio de emissão- outra uma falha, entre o que o receptor ouve, lê, percebe e entende-outra uma falha, entre o percebido e ao que ele a isso associa-outra uma falha, entre o que ele compreende e interpreta-outra uma falha, entre o que ele sente/pensa/interpreta e emite a partir daí-outra uma falha. Ou seja, os processos de comunicação entre os humanos estão sustentados em territórios de ocupação existencial repletos de falhas e ruídos. Certo?
Voltemos ao que minimamente posso aqui tentar exprimir. Diz respeito a uma aventurança realizada nesses tempos dentro dos ateliês-grupos-coletivos de criação instalados no interior do equipamento de saúde NAPS-2, do município de Santo André-SP. Vou hoje te situar, visitante, de um processo grupal que há mais ou menos 2 anos vem acontecendo e que hoje, sei porque cargas d'água me vi inspirado em dizer sobre o mesmo, opero essa postagem.
Retomo em parte um breve histórico do início desse. Começou com uma oficina de marcenaria onde nos víamos produzindo apetrechos e instrumentos que serviam á necessidades de outras oficinas dentro da clínica, discutíamos entre nós ferramentas necessárias, materialidades imprescindíveis, vontades de potências outras a serem feitas, o que era do gosto de cada um, o que era possível as pessoas fazerem, lidávamos com uma necessidade de precisão dos atos que em muitos geravam certos dessagrados. Era preciso serrar e pregar com uma certa perfeição, porque senão o outro trabalho, ao qual se destinavam os objetos construídos, não poderiam sair conforme a necessidade. Ficamos nesse fazer por 5-6 meses, mesclado a outros fazeres inventivos utilizando a materialidade das madeiras e uma boa conversa-dispositivo. Eis que num dia, numa dessas conversas, rompe num integrantes do “grupo” uma vontade “diferente”.
Pensemos antes, o “grupo”? Não bem isso na época, era algo mais parecido a um formato de agrupamento: um conjunto de pessoas meio desconhecidas em seus fazeres, efetuavam atividades em comum, mas permaneciam num certo distanciamento isolado umas das outras, reunidas por um certo acaso, que tinham um objetivo comum de destino: no fim era participar de uma ação voltada as necessidades da instituição.
Como exemplo de agrupamento é possível se ter numa fila de espera no ponto de embarque de um ônibus, você sabe que ali tem uma senhora com uma neta, um office boy, adolescentes indo ou voltando da escola pois seguram cadernos e mochilas, uma mãe com filhos, pessoas indo ou voltando de lugares, todo mundo esperando a condução, mas com sentidos diversos e não compartilhados, a não ser uma unidade mínima que é esperar um meio de transporte que os faça locomover de um lugar da cidade a outro, enfim...
Um integrante dessa inicial grupalidade-agrupamento disse que gostaria de fazer um desenho diferente na madeira, não era escultura, era um desenho que parecia escultura. Vimos ali que ele anunciava algo da ordem da diversidade do desejo. E era preciso que nós sustentasse-mos aquilo como um possível ponto de fuga das pessoas frente ao aprisionado instituído trabalho na instituição clínica. Ele ali falou que era possível compor algo diferente daquilo que vinhamos nos ocupando naquela produção de território de vida...

Comentários

Rose666 disse…
Que viagem André! Transportei-me aqueles dias...rapaz como caminhamos...no sentido de andar, trilhar, e se apoderar!Aí senti uma felicidade por ter estado e estar lá.
E sem dúvida alguma voce consegue contar como ninguém mais o faria, com vida-sentido-palavra.
Namastê
a entrega e o navegar pelas correntes, fluxos da vida. Sabe do berço da cria-ação.
Um dia voce deixou um comentário no Mahavidya dizendo que era um prazer poder cotidianamente compor comigo. Hoje, eu digo é um prazer e uma dadiva "trampar" diariamente com voce!Um trampo criativamente vivo.
beijos
Rose
andre miolo disse…
e vem mais por ai!!!! aguarde!
namaste
andré

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