O PRIMEIRO DIA

(foto andré nunes, santos, 2007)
Tudo bem, tudo bem. Nos tempos atuais a foto é um tanto estranha mas faz parte do processo. É baby, mais uma vez, e essa é a quinta, que tô tentando parar de fumar. Mais de 20 cigarros por dia não tem quem mereça.
Aquele cheiro que vai impregnando em você e na casa, e nos ambientes e determinados territórios e ações do dia a dia. na espera do ônibus pro trabalhar ainda quando madrugada, antes de embarcar em viagem até Santo André, quando desembarco logo ápós o café tomado na lanchonete da rodoviária destino, no caminhar pela rua que dá acesso ao NAPS-2, e no trabalho são vários dependendo sempre do clima que se instala.
Tanto a equipe quanto os usuários fumam bastante e num ambiente onde a fumaça molda uma certa cortina para os encontros não há muitos meios de não se ver mais uma vez capturado pelo ato de tragar nicotina e alcatrão.
Mas andei essa semana já diminuindo a intensidade, e vou te dizer, foi bem difícil. Aquela fissura que dá, uma vontade que toma conta de você, e driblar ela com bala, chiclete, água, respiração mais profunda... a fissura ainda assim fica ali, dentro de você como se fosse um orgão vital.
Essa, contando todas as vezes, é a quinta tentativa. Comecei a fumar faz 10 anos, num namoro mutcho loko... mas lembrando agora no terceiro colegial já dava lá umas tragadas nos cigarros LM de meu pai. Que fumou os Plazas e Continental, até cair numa mesa de operação com pré-infarto. Fez lá suas 2 safenas e 3 mamárias, e as vidas de toda a família mudaram de vez. Saídos de Taguatinga-DF, retornamos para Santos-SP, cidade onde a família dele toda reside.
E não tem lá o cigarro um tanto de responsabilidade nisso? Mas comigo aconteceu de começar assim, meio de bobeira mesmo. Tomava uns gorós a mais e nessa de ir fumando um e outro cigarro malboro roubado na mesa do boteco, tá lá... em pouco me vi comprando maço próprio. No começo, ainda lembro disso, o cigarro dá uma espécie de tonteira na cabeça. É, você sente alguma coisa estranha como se fosse uma mini vertigem e uma certa leveza. Mas acredito que tenha lá haver com ações corpóreas implicitamente associadas ao ato. Sim, é uma atividade, pense bem, onde você se põe a respirar num ritmo controlado muito particular- fora do automatismo no qual a respiração está também instalada.
Inspira-se a fumaça. É certo que antes tem todo um preparo da ação. Isso de abrir a embalagem, acender o isqueiro ou os fósforos ou fonte de fogo que ache, colocar o cigarro na boca. Ele ainda apagado já tem um gosto. O cheiro é muito característico. Associo a um cheiro de chuva ( ele ainda apagado). Parece cheiro de mata quando a chuva cessou e ela fica a secar. Daí se acende, os primeiro pegas para certificar-se que o mesmo tornou-se braza e pronto. Fuma-se em geral até próximo ao filtro.
Todo um ritual. Engraçado pensar que é tempo de respiro. É algo próximo de uma espécie de silêncio... relax.
Depois te conto mais... Por hora são 11:04 e já estou há 12 horas sem fumar... por enquanto estou na base da água. vamos ver adiante...

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