Salve, Salve!
A quem está chegando através da nova roupagem do blog, que agora acoplado a IA ganha novos motores de propulsão desses escritos alhures e atuais.
Faz um certo tempo que quero retomar as escritas nesse diário conectado, principalmente agora que percebi que ao migrar boa parte da escrita para a plataforma instagram, deixei de nutrir textos maiores, e desses sinto falta. Os acontecimentos que perpassam meus caminhos atuais, têm me dado forças para eu voltar a sentir vontade de fazer isso, escrever mais. Trago algumas novidades que talvez mudem meu jeito de produzir novas linhas de fuga na história que gira nessa antiga plataforma de encaixes. Tento então, te contar como der.
Ideias tenho várias, a ponto de muitas vezes não saber o que fazer com elas. Se deixo as mesmas descansando e decantando em alguma dobra do corpo, se avanço em direção ao que ainda não está bem desenhado, se coloco de molho num limbo interno e acendo uma vela na esperança de que um dia retornem, se rebobino a fita e reescrevo o passado com quem tenta editar na memória parte do que ainda não está elaborado. O viver tem dessas coisas.
Nesse instante que escrevo, algo em mim se abre em inquietação. Quero falar sobre as criações realizadas a partir de um mergulho maquínico recém efetuado, parte dele desencadeado pela descoberta de como fazer disso tudo, enquanto escrevo, algo posto e criado como uma espécie outra de engrenagem do engenho de dentro. O blog , ao ganhar nova configuração através de um aplicativo, permite aos leitores fazerem novas combinações de pesquisas e acessos a partir de palavras chaves escolhidas por eles, e isso em si me trouxe uma alegria tal ao ver o número de acessos dispararem.
Mas percebo que algo por aqui tem me lançado para um salto no futuro, nada tão longe assim, uma espécie de adiante, que já vem acontecendo através da revolução das máquinas e da tal Inteligência Artificial. 18 anos atrás, nem imaginava que isso um dia isso pudesse acontecer. Reconheço que parte da vida entre 2012 e 2021 ficou meio em surdina, eu ali num mergulho em postos de trabalho e consumo de minhas forças criativas de um modo potente e silencioso. E tudo que menos desejo é ficar voltando ao passado, porque vejo nele amarras que me consomem ao arrastar meus pensamentos para memórias e lembranças que pesam no instante em que desejo escrever pro futuro.
Enfim, tento fugir mas elas voltam. Vou então dar vazão a elas para depois prosseguir.
Nesse entretempo de grandes silêncios aqui no blog, fui gestor de 2 serviços de saúde mental. Um em Santo André-SP , onde por 4 anos apoiei a reabilitação psicossocial e inclusão social pelo trabalho de alguns usuários e empreendimentos econômicos solidários e sociais. Lá criei junto com a equipe, tecnologias sociais destinadas a causa. Tenho planos de ainda escrever sobre isso por aqui. Mesmo porque me bate, às vezes, um sentimento de que ajudei algumas pessoas a elaborarem seus trabalhos acadêmicos, entre outras coisas, mas a história oficial de quem estava no chão da fábrica (como sempre gostei de pensar) não apareceu de modo efetivo. Pode ser noia minha isso, mas aparece de vez em quando. Não como um ressentimento, mas como uma espécie de dívida. Devo isso as pessoas que estavam comigo naquela caminhada e, principalmente a mim mesmo.
Os outros 7 anos coordenei um Serviço Residencial Terapêutico na cidade de São Paulo. Também lá inventei algumas coisas que beiraram tecnologias sociais. Por enquanto, não sei se quero dizer alguma coisa, porque me trazem recordações não lá muito boas, apesar de ter realizado um bom trabalho. Melhor deixar isso quieto. Um dia volto a dizer mais sobre isso tudo. Pronto.
Hoje, o fato que me traz aqui, pra esses novos registros das aventuranças no maquinomóvel, tem a ver com a criação de um dispositivo- um miniaplicativo (que dará alguma formatação nova de uso para isso que foi construído ao longo dos anos). O aplicativo leva o nome de maquinoativação; surge , então, uma questão que vem martelando a ideia pelos caminhos que faço, atual e diariamente pela cidade, enquanto transito entre um bairro e outro visto que agora trabalho de forma autônoma.
Desde que comecei a escrever diariamente em meus cadernos, e já vou pro volume 15, esse lance com as palavras me pôs pilha pra pensar sobre a vida que levo, o que se passa aqui por dentro, etceteras e tals. A escrita dos livros ( A desocupação e A arnha do tempo), a criação de histórias e enredos, o sabor de encontrar as palavras que dão cabimento a determinadas coisas, o efeito conjugado pelo escutar e ler; atividades que eu considerava, e ainda considero, complexas demais... enfim, toda essa tramagem foi aos poucos me lançando a questões que gostaria de compartilhar com vocês.
Lá vão então as perguntas, e torço para que você as receba com amorosidade escavatória suficiente. Elas envolvem tempos: para além do registro entre Passado, Presente e Futuro.
Para qual tempo sua escrita é voltada?
Alguma vez você já pensou sobre isso?
Se aquilo que você escreve é destinado a algum tempo/espaço aí dentro de você?
Essas perguntas têm me lançado para um estado que é mais ou menos assim: No instante em que materializo essas perguntas através das palavras, e até essa frase aqui escrita que você acabou de ler... bem, ao usar palavras, ao tentar tornar as ideias um pouco mais visíveis e compartilháveis, algo em mim (e algo em você) precisa se mover. Algo que eu de algum modo percebo, não sei bem como, mas posso afirmar que percebo. Esse algo que existe, habita entre um espaço dentro do meu campo de criação, já em devir de expressão, e um outro espaço desconhecido-inimaginado-em conformação, aqui por dentro. Esse lugar interno, que ainda não está nomeado (e pode ser que nem seja), mas que também não é o nada... Eu brinco de atingir esse lugar-instante-entre o que está para brotar em formação de palavra-pensamento, e o que já busca algum nome para ser realizado em comunhão-comunicação. O simples gesto, ou vontade de querer ocupar esse lugar, me traz uma fagulha de consciência de mim mesmo. Esse lugar começa a ficar silencioso, acolhedor, vivaz. O lugar que antecede as palavras. Tento permanecer nele, até que algo fora disso me tire essa atenção. Esse lugar, que é estado de presença sutil, gosto de senti-lo e chamá-lo também de agora. Ou talvez de estado de presença. Nesse agora-presença, são raras as produções que realizo. Mas quando as realizo, como nesse exato instante em que te escrevo, são muito prazerosos, porque sinto que são verdadeiros para comigo e imagino que possam ser para você, também.
Me ponho a querer. Preciso dar um passo a frente. Lembro de uma frase dita pelo mestre Renan Cruz, que junto ao Betinho compunham a equipe de criação da Cavalera, que realizou uma baita collab com o Coletivo CUPINS em 2017. A frase, impressa no cartaz que acompanhava as 200 camisetas produzidas era:
DAR O PRIMEIRO PASSO DEPOIS O CHÃO SE FORMA.
Eis o que tenho feito por bons anos de minha vida. Percebo nessas que sou adepto do método sanfona: FAZER-PENSAR-FAZER, cujas raízes que recordo de memória, vem do Paulo Freire e da Kastrup. E nessas me dou conta de que sou do reino da Fazeção. Olho pro blog, penso nele, e então ele se revela mais que um conjugado de arquivos de textos-passagens-imagens, ele me revela ser um produto desse método, que de algum modo se mostra como um exercício de fé.
Um passo a frente e você não estará no mesmo lugar, já cantava Chico Science.
Dar o primeiro passo depois o chão se forma, me disse um dia o Renan Cruz.
Olho para as duas frases. São parecidas e próximas, mas não iguais. Há avizinhamentos nelas. Ambas me mostram que Ação exige coragem, que hesitação e dúvida podem paralisar, que o plano se ajusta no percurso, e que pra caminhar é preciso pé no chão, pé na estrada.
Simbora que algo novo vem por aí. Conto com vcs.
abraços
andré miolo


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