O ANTES, O AGORA E O DEPOIS... ou ...Se a gente brincar, a gente fica amigo...


ANTES                                                                    DEPOIS

“O máximo de maturidade que
um homem pode atingir é quando
ele tem a seriedade que têm
as crianças quando brincam“.
Nietzsche
 

Antes de começar, agora nesse instante, vou te contar que esse é um relato de uma experiência com o depois. Ele conta sobre a contaminação possível numa atividade lúdica que envolveu crianças, cachorros e adultos. Fala sobre a necessidade de resgatar aquela parte devir-infância em cada um dos envolvidos na experiência, e que a criação de zonas de interferências e trocas entre os planos-existências das pessoas só é possível de se efetuar (em afirmação com a vida) a partir de encontros pareáveis. (Fim)... meu menino agora pouco me disse assim: se a gente brincar, depois a gente fica amigo!   
_ oi? _ oi. _quer jogar? Como a gente constrói um novo começo pra isso aqui, meu povo? É! um começo que possa trazer a tona a super dica do menino... como se abre espaço potencial de criação nas relações por dentro e por fora de si? E, como a gente deixa que um certo estado de se ter entre (entreter-se ) possa permear um pouco essa interação humana, dando a ela qualidades de respiro e fôlego? como a gente abre importância pra esse estado de onde algo primordial, em nome de um sonho/devaneio, infle outramentos de algo em nós, que nos anime um tanto nessa carga cotidiana, que anda pesada e rarefeita, disso a gente sabe bem... Olha! busquei soluções, eu cá com os botões da máquina, mas só tenho a dizer que a seriamente serelepe resposta é : BRINCANDO.
As meninas queriam um unicórnio fazia tempo. A turma de adultos planejou um churrasco pra se reencontrar depois de meses sem se verem e unindo expoentes poético-práxicos (PH-P2-P4) se implicaram com a ideia-vontade delas (RR). Um reencontro de gerações tem dessas empirias. A gente só vai saber o que aconteceu com o antes, o agora e o depois, bem depois quando o acontecimento se tornar acontecido em nós{}. Se a gente se entregar em estado suficientemente bom de presença, entrar no jogo e participar, a chance de algumas risadas, invenções e descobertas sobre si se instalarão, garanto a vocês.
A lista de objetos-coisas(ph-p1) que dariam condições para que a potência da forma viesse a tona no acontecimento era grande. Compartilhada na rede relacional (RR) do grupo puderam ser trazidos. Uns vieram com tintas, outros lãs, 1 placa de eva gliterizado também se materializou para o encontro, pincéis, balde (+água), mesas, colas quente com sua pistoleta e colas frias com seus tubos, palhas para arranjos florais, adesivos de pedrarias... e um antigo burrinho pula-pula.
Esse, que já fora brinquedo da infância de uma das meninas.(ph-p2) Isso, desses burrinhos que a gente encontra na internet ou na 25 de março pra vender, estava pronto para passar pela maior transformação de sua vida. Acho engraçado, pra não dizer estranho, considerar agora (nesse instante) o modo como o burrinho foi analisado e posto em indicação por aqueles que o venderam para outro aqueles que o compraram. (circulação relacional) 
(Antes de continuar, queria alertar que um petit prisma de objeto-quase (poeisis) é passível de localização no objeto-ação (práxis)  do verbo indicar. Ele vem do latim indicare que quer dizer determinar: colocar limites em...) foi só um lembrete pra explorar outro dia, sigamos! 
como pode né?  isso da  linguagem ser capaz de atribuir sentidos para as palavras e para as coisas entre outros..., e numa operação colar certas atribuições conceituais em seu corpo semântico... que brincadeira mais admirável! É como instalar um conceito-adesivo-funcional pro burrinho com algo descrito realmente assim: BRINQUEDO INDICADO PARA CRIANÇAS DE 3 A 7 ANOS OU ATE 54 KG.. Tem ainda outra INDICAÇÃO : Ajuda na Coordenação Motora E Desenvolvimento Físico da Criança.
Posso te dizer nesse instante agora que nosso burrinho antes alaranjado, em estágio progressivo devir-unicórnio, já estava todo pintado com camadas de branco. Ou seja, teve sua indicação originária (de coordenar motoramente o desenvolvimento físico da criança) parcialmente desfeita. Digo parcialmente porque as meninas desdobraram seus corpos em faberdiversidades outras para dar conta da transformação, e assim alterar parte da serventia do burrinho aos humanos. o objeto em si tornou-se quase um isso, uma espécie única de objeto-coisa com cara de objeto-quase. embebido e recoberto de novas camadas duma potência poética criativo-funcional, sem levar em conta o processo de transição de espécie BURRO-CÓRNIO. É que ao corpo, muitas vezes, apenas a leitura física é revelada nas aproximações, outros universos ficam esquecidos.
O fato é que aos poucos o Burro-córnio ia se transformando. Mas o mais interessante foi observar que sua produção também transformava as relações entre todas as pessoas do grupo, que numa espécie de contágio ativado pelo fazer iam se comunicando em gestos, manuseios de materiais, solicitações de ajuda, lembranças de brincadeiras e desenhos e músicas, imaginações de como ficaria tal, facilitações de manuseio dos materiais, gradação de aplicações, esperas de secagem das tintas e colas, recortes nas folhas, estudos de design do chifre, separação das cores das lãs, cortes das linhas, trançagem da franja, risadas e intermediação de conflitos entre as crionças... enfim, todas essa aventura lúdico criativa foi possível por estarmos todos mergulhados num grande caldo de cultura no qual o campo dos fenômenos do fazer puderam APARECER em meio ao grande verbo conjugado grupalmente: Brincar. 
Brincar oferece tantos benefícios à humanidade: construção de confiança, empatia, otimismo, flexibilidade, abertura, presença, perseverança, equilíbrio emocional, resiliência, exploração do possível, conformação do imaginário, adaptação, desenvolvimento cognitivo, corporal e principalmente ativação de um senso de pertencimento e integração.
Que só tenho a dizer que é brincando que apreendemos linguagens novas do fazer.
Boa semana a todos!
André (miolo) Nunes


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