O jogo



Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruzo a paulista com a consolação

Pois é, voltamos, operando da base além-mar. Daí o delay, efeito serra. Sabe como é... arrumar tudo, enfurnar as tralhas no carro, e prende as gatas nas caixinhas, e vem ouvindo o coral de miaus a estrada toda, chega em casa, solta as gatas, confere as plantas, todas sobreviveram, desarruma as malas, fica olhando tudo, tá igual e diferente... e tenta se ambientar novamente em sua morada.

Viajar tem essa qualidade, de ser um deslocamento no espaço, te remove de um lugar, fixa um tempo off-road, te “recoloca” no lugar. Mas você já não está mais o mesmo.

Falando em viagem, a gente está quase no final dessa aqui. Amanhã público o último post da temporada. Não pensei nada em especial ainda, para a gente fazer o fechamento. Ainda tem tanto a escrever. Quem sabe eu não continue com intervalos maiores de escrita? Isso, tentando encaixar essa atividade que me faz tanto sentido em algum espaço na agenda corrida.

Taí, um tema pra gente bater um papo hoje. Como você encontra espaço no seu cotidiano para realizar coisas que lhe promovem sentido e bem-estar? É. Como vc se OCUPA DE SI MESMO?

A gente da Terapia Ocupacional, que cuida tanto das atividades dos nossos acompanhados, nem sempre desenvolve tudo aquilo que preconiza. Nessas férias percebi muito a real necessidade de abrir tempos para o NÃO FAZER NADA como uma ocupação importante. Não é lazer, não é descanso, não é atividade física, é simplesmente se dar a oportunidade de não fazer.

Tem alguns que chamam isso de desocupação, outros de ócio, e há quem chame de despreocupação. E cada um desses nomes-conceitos certamente tem uma raiz de concepção, coisa que não vou me deter nesse instante. Mas então, eu vou chamar de não fazer, mesmo.

Que espécies de motivações nos levam a apreciar esses momentos? Sim, esses em que estamos simplesmente a perceber o tempo a passar, de estar deitados devaneando, apreciando coisas comuns da vida sem aquela cobrança toda de produtividade, de ter que, de se dispor numa “fazeção/facejamento” ininterrupto.

Hoje, antes de vir embora, ao tirar a última foto da viagem, me perguntei: e se de repente todas as peças do jogo mudassem, e ao invés de um a gente se visse jogando outro, no mesmo tabuleiro, mas sem ninguém te contar (a não ser você mesmo!?)... quanto tempo você ia demorar pra descobrir que o jogo mudou? E junto com ele as regras também?

Vou dizer, então. Aqui (eu com meus botões) te digo: _ o jogo MUDOU.

Até amanhã.

  

 


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