Assim que terminei o texto de ontem, eu ainda... após dormir e
voltar a caminhar pela cidade... eu ainda não consegui sair de tudo que as
palavras me trouxeram à tona. Peguei meus lápis de cores e voltei a desenhar
pra tentar acalmar os ânimos.
Pra quem ainda não sabe, e quem acompanha só o blog não sabe
mesmo, no instagram o pessoal acompanha. Eu tenho um projeto em andamento há
anos ( acho que uns 3 a 4 anos), chamado
CADERNO DA FALÊNCIA. Eu quero falar aqui um pouco sobre ele.
Quando sinto vontade e disposição para me encontrar com um
estado de solitude maior, unido a um gesto criativo com abertura para o devir
de formas sem conhecimento prévio, ou seja, uma OCUPAÇÃO genuína do SER através
do FAZER, eu me volto ao caderno. Lá eu grafo formas multicoloridas, pedaços,
cacos, caos, cosmos, informes, disformes, riscos, linhas, preenchimentos do
espaço/matéria num tempo muito singular... "FRICÇÃO CIENTÍFICA "!
Ontem eu consegui pela primeira vez compreender um primeiro
desenho dessa experimentação através da lógica da maquinoativação. Fui entendendo
que, o tecimento dos desenhos no caderno da falência se davam com (ou como)
algo parecido a isso que ocorre com minha escrita aqui no blog. É uma escrita de
transição, de algo informal para um jeito cuidadoso e comum de expressão. Como
quem diz a si mesmo numa afirmação com a vida: DEIXA A ESCRITA SEGUIR SEU
PRÓPRIO CAMINHO. DEIXA O DESENHO SEGUIR
SEU CAMINHO.
Me ocupei em refletir o que estava fazendo. PENSAR... (pensar
é um fazer?) e SENTIR. E fui analisando
aquilo que vinha fazendo a anos, através dos 4 grandes expoentes que produzem
possibilidades durante a atividade das pessoas. Os expoentes que circundam os
fazeres das pessoas são: A FORMA (P1), A
POIESIS (P2), O PATHOS (P3) e A PRÁXIS (P4).
Antes de ir dormir realizei as anotações que ilustram a
postagem de hoje. Elas continuam afixadas na parede do quitinete que estou. Vão
ficar ali, paradas, para que eu possa ir namorando-as, conversando com elas,
abrindo espaços de diálogo e comunicação.
Vão facilitar minha vida? Não sei te dizer, só sei que foi
uma virada olímpica nesse mar caudaloso que os processos de criação produzem em
mim, ativando meus fazeres, convocando novas produções de conteúdos e formas.
Por hoje é isso.
Ocupem-se de si!
PS: Antes de acabar por hoje, só queria dizer que terminada
a escrita de ontem, uma súbita alegria consciente me tomou por inteiro. Postei o texto e tão logo recebi um carinhoso
comprimento de alguém que tenho um apreço muito, muito grande: Lúcia Damy. Ela
foi a pessoa chave que me incluiu na circuitaria da mental aqui na baixada
santista. Trabalhamos juntos na Praia Grande, a gente conversava muito, escrevia
poema em meio a rodadas de cervejas, ia em shows no SESC - no Torto - nos bares
da baixada, em reuniões da Associação Franco Rotelli, foi uma das primeiras
pessoas que me apresentaram o universo dos gatos ( Pinga e Mel) , ela também quem
me apresentou Telma Felício (tão divertida quanto Lúcia). E tb me fez
reencontrar o Fernando ( que tinha sido meu supervisor de estágio no 3º. Ano da
Faculdade junto com a RÔ quem coordenava o Núcleo de geração de renda), as Fernandas,
e muita gente que desbravou a luta antimanicomial!!! Lúcia um super beijo pra
ti.

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