Vou compartilhar um sentido para esses textos que venho
produzindo cotidianamente num espaço de tempo de uma hora diária, onde vou
compondo o pensamento a medida que escrevo. você pode entender essa escrita aqui
como um ajuntamento de idéias, memórias e experiências vividas no agora. Ou
seja, a atividade de escrever (e organizar as idéias na máquina) tem um caráter
formativo, na verdade essa é apenas a primeira camada. Como na cebola, a casca
não é condizente com o interior da mesma, e ao rompermos sua superfície-pele, encontramos uma outra matéria que a compõe.
(fiquei a pensar se a matéria da casca da cebola é diferente
pelo fato de ser constituída da mesma porém em contato com a terra, ou seja, se o
envólucro é uma evaginação da raiz que em contato com a terra lhe dá qualidades
outras de consistência...).
O fato é que nessa ação formativa da escrita, ao por em
movimento as idéias através de palavras, não estaria realizando para além de um
formar-formatar, um performar? no sentido que a forma elegida (objeto-coisa: palavras-textos)
tem um caráter de movimentação/ práxico (objeto-ação: escrever)? Per- do prefixo latim per: movimento
através + formar - do latim formare: dar forma, modo sob o qual uma coisa existe
ou se manifesta.
Instalado intensivamente no agora dessa ação da escrita, vou
puxar um fio da conversa escavatória-arqueológica tida ontem sobre a origem das
palavras. Nela fui maquinando um giro simples na construção de um tipo de
aparato para estruturação de configurações básicas para pensarmos a questão do
setting terapêutico ocupacional. Falamos dos 3 fios urdiduras-longitudinais
(ESPAÇO-TEMPO-RELAÇÕES), assim como do fio latitudinal-movente denominado
trama. (na cabeça-pensamento gosto da palavra tramóias tb)
Hoje quero conversar sobre o que nos passa a medida que
tecemos as atividades e ações na formação de “tecidos-panos-planos-corpos-coisas”.
Chamemos todos esses “objetos-coisas”derivadas do “tecer” de A. Isso mesmo,
iremos representá-los pela letra A.
Por que “A”? A.= a inicial.
As coisas de A. se apresenta a/por/em mim há 46 anos,
tempo de minha existência até então. Aqui ainda não vou te contar como as
leituras e estudos sobre a conduta de Sir Winnicott tem despertado descobertas
primárias substancialmente importantes de caráter integradoras. Só te aviso que
essas pedras multicoloridas irão, logo mais, compor um tanto o caleidoscópio
engenhoso da maquino@tivação.
O que são 46 anos levando-se
em conta o todo, essa matéria toda, que A. compõe sob a insígnia vital de mais
de 3500 milhões de anos? Num é nem um grão de pó, minha gente! Saiba que esses mil
de milhões de anos é simplesmente a datação que a humanidade conseguiu, até o
presente momento, calcular sobre o surgimento da forma-vida na Terra. Vou me
recolher em minha insignificância e continuar na palavração aqui...
Vamos dizer que A. só é possível de existir através de
tecimentos entre as potências do fazer humano (Phorma-Poesis-Pathos-Praxis) e
seus compartilhamentos/pareamentos com redes relacionais. Ou seja A. só é A.
COM TECIMENTO.
A.COM.TECIMENTOS são a base do fenômeno instalado nos fazeres
humanos, sendo o corpo um aspecto central. UM CORPO NUM FAZER NADA MAIS É DO QUE A EXPRESSÃO DE UM
DETERMINADO CAMPO DE FORÇAS. As linhas de forças ( na física também chamadas de
VETORES) operam sob/sobre/no/com o corpo um jogo posicionador. (eu ia escrever
positivador- mas pensei bem antes de grafar essa denegação aqui). Ao corpo
será dada a qualidade/nomeação de ACONTECENTE. Ou seja, o corpo em sua primeira
instância NÃO É UM OBJETO, MAS SIM UMA FACE DO ACONTECENTE. O ACONTECENTE está
instalado no interior dos ACONTECIMENTOS onde A. COM. TECIMENTOS são
realizados.
Não sei se estou acelerando muito a máquina fiadeira hoje,
mas é que mesmo que os pontos fiquem desalinhados nesse momento, ou que a
agulha superior não alcance plenamente a
lançadeira e sua caixa de bobina, e acabe não realizando plenamente a captura das
linhas presentes no atravessamento do tecido... te digo que é mais importante no agora, garantir a existência de um pano de fundo
dessa tramóia. Se haverão buracos e falhas em sua tecitura-costura-arquitetura,
outras operações de tramagens/ técnicas de tecer (crochê-tricot- macramê- ponto
cruz- eteceteras) poderão ser utilizadas para refazermos giros posteriores,
tais como aprendi no primeiro ano da faculdade através de bordaduras, remendos,
costuras a mão, técnicas de fiação, vulgo: atividades e recursos terapêuticos
1.- linhas e tecidos, onde ao final de cada dia escrevíamos um relato chamado
de VERSÃO DE SENTIDO.
Dada a hora de corte no fluxo, termino por hoje essa
escrita.
Grande abraço.
Ocupem-se de si.
Não relaxem as medidas protetivas contra o corona vírus.
André (miolo) Nunes


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