passamos por uns bocados. Ninguém esperava ter de viver tanto tempo encapsulado, tão dependentes dos objetos-coisas paridos pelo mundo máquina. Nem de produzir o grande êxodo para o virtual, como foi importante para o mundo máquina essa migração massiva de informação e necessidades. Depois do 11 de setembro e algumas guerras vindas a partir do ataque as torres, creio ser essa pandemia o segundo grande marco histórico do século, essa década do século XXI inauguramos isolados em casa. Pero no mutcho, a realidade virtual entrou como no esquema como a grande boia de salvação EADnizando tudo..
Quer dizer, uma parte das pessoas entre elas os profissionais da saúde permaneceram trabalhando em mais do que o dobro. Não conheço um trabalhador da saúde no contexto que não viu sua carga de trampo aumentar (e muuuito). Foi muita gente convocada, sob o grande fluxo do CUIDADO (nosso mais precioso valor), a compor a grande rede dos cuidadores que se espalhou planeta afora. Fomos empurrados para um lugar meio mítico dos salvadores num duelo descomunal com a morte e sua angústia. Enquanto isso o paradoxo vivido por quem ficava dentro e fora de casa, ganhava sua apresentação diária nos gráficos oficiais veiculados na televisão, esses mostravam que enquanto num tantas vidas eram ceifadas e um sentimento apreensivo de luto tomava conta, noutro o sentimento de esperança ia aos poucos nos dizendo dos respiradores e das vacinas e que o fim de um indivíduo não era o fim da espécie.
O mundo máquina, fez parte também desse grande plano engenhoso, com tantas mudanças de hábito que até o caçar algo pra comer (teria a comida o mesmo sabor quando se pede ela pelo aplicativo?) fez a gente quateirizar a experiência. E junto com a galera da saúde que se ocupava com salvar as vidas, os motoboys também tem uma parte boa desse legado. Os caras não pararam também. Nem o povo dos balcões...
só sei que a gente ruma agora para uma outra etapa do processo, uma espécie de reinvenção cultural e da saúde. Muita coisa boa foi produzida pelas pessoas como um ato de resistência/reexistência no enfrentamento dessa jornada. Como diria o filósofo : "é nossa base macacal", em seu fantástico: "O filósofo no porta malas" de JULIANO GARCIA PESSANHA (escrito durante a pandemia). Vale muito a pena ler: INDICO.


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