insulina

 

vou reservar as questões de lado, pensar vem depois. me vi capturado na frequência  modo on-off de estar no mundo, onde as perguntas imobilizavam ações. agora, na reinvenção do próprio eu--mundo (Que relevância há em cada palavra que escrevo?)  preciso das perguntas que não soube recolher. o não saber é a parte mais fantasiosa da produção de conhecimento. eu aprisionado em um corpo e seus modos de sentir--pensar--fazer--viver as coisas que não equivalem mais aquilo que sou. necessária mudança, preciso mover para que seja acontecente. abrir os meios para que venha à tona (Aonde é que na mudança se arruma abrigo?). no principio sempretudo parecerá desgovernado, caórdico: 


 avançar na agonia, nem que seja uma página diária. num corpo grande produzir leveza. LEVEZA é palavra de ordem do momento. o espírito da época não é leve coisa--nenhuma, o espírito da época é confuso. (Que mudança não é confusa?)

eu poderia estar a postos, aceso por dentro e fora de meu apego. neutro como o volume morto que repousa em silêncio antes de tocar o céu da minha e o lábio da sua boca. eu poderia estar atento e focado nas indiretas que a vida tem dado, mas gosto tanto das entrelinhas e de seus entrames e de seus entraves. em todas as coisas antinaturais que as vezes pousam sobre nossos dedos dos pés e não sabemos como reagir. mas não. escolhi o recolhido, fase minha incrustrada, estar desfeito em suspiros e medos... medos de queda. o que temo é anterior ao novo. o que temo é a prisão pelo que está velho entre eu e o mundo desfazendo-se em coisas que ninguém espera por saber. enquanto isso a casa--mundo pega fogo.

eu queria ter guardado toda sorte de palavras pra fazer desse momento único um monumento de salvação. mas não. eu fiz dele um anteparo e atropelo inerte ao chão. ninguém aqui buscava anseios, mesmo que a cadeia produtiva disso que insistem em chamar desejo fosse banhado de entradas e saídas, meros disparos, mais amenos que as cobranças que fazia a mim mesmo.

um anseio percorria meus dedos, na busca brincante da vontade de sair dessa porca distinção de fatos. tudo bem confuso. tudo meio termo tremulo. como uma onda que se repete na frequência indistinta e indizível do inaudível, do invisível, do indistinto, do intangível... uma onda íntima, interna, inferior, instalada, instantânea, instintiva, inspirada, intrusiva, insalubre, indireta, insipiente, inconsciente, instalada, insatisfeita, insuportável, invaginada, imaginada, imatura, inimiga. perdida na fronteira do dentro oco, tocando o intentado. invenção pro outsider que ainda sou.      

    

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