Prompt. A comunicação foi estabelecida. A inteligência operante através da palavra.a revolução do artifício se reinstala. A máquina falha. Do alto do 3o andar do prédio, estilo Cohab, onde atualmente reside, Miolo retoma suas aventuranças na escrita errática de seu blog. Passaram-se 18 anos desde que iniciou esse projeto. Esse aos poucos foi ganhando forma e conteúdo, sem pressa. Em alguns períodos silenciou a escrita. De certo ele estava capturado por algum outro pathos na vida. No mais, seguia construíndo conteúdos em outras linguagens e relações. Mas, e agora?
Dias atrás, passou a pensar sobre como poderia retomar essa atividade, que tanto atraia sua atenção. Qualidade escassa nos tempos atuais. Desde que passou a utilizar outras mídias e redes sociais mais novas, percebia que sua atenção se voltara para um outro modo de produzir conteúdos.
De certa forma, isso o fazia gastar um tempo esporádico ao longo do dia. Mais consumindo o que se passava nas vidas alhures a dele, do que aquela que carregava em si. Minutos que, se somados, dariam dias de possíveis outros fazeres. Não que tenha se entregue por inteiro a essa nova forma de se comunicar através dessas plataformas. Fazia mais de um ano que resgatara um hábito experimentado há quase 11 anos atrás. Escrevia diariamente em seus cadernos, que curiosamente chamava de " Escritas automáticas matinais".
As palavras, frases, vinhetas e histórias que ali depositava, eram elaboradas como a primeira atividade expressiva realizada durante o dia. Ou seja, ele mal saia da cama, ia até a cozinha, bebia um copo dágua. Enchia a chaleira para passar o café da manhã e enquanto a água fervia, escrevia tudo que lhe aparecia na mente. Pedaços de sonhos, palavras poéticas, contas, preocupações, e tantos etceteras que lhe fossem tomando as ideias e seu espírito matutino.
As vezes acordava ás 4 e pouco da manhã. Cumpria o ritual apreendido num curso chamado " Ser Criativo" que tinha como base o livro de Julia Cameron: O caminho do artista. Depois, bem retornava para cama, deixando-se adormecer sob o rapa do sono que ainda sentia.
Te conto. Algumas coisas mudaram durante esse um ano e meio que se passou. Depois de 27 anos trabalhando no Sistema Único de Saúde, ele pediu as contas e caiu por inteiro num outro sistema de trabalho. Autônomo, agora tinha em mãos sua própria rédea clínica. E como quem voltasse no tempo, ou melhor dizendo desse impossível, ele retomou um trabalho que realizava antes mesmo de se formar terapeuta ocupacional.
Durante a pandemia, enquanto gerenciava um serviço substitutivo ao manicômio, foi convocado a cuidar de gente que havia paralisado frente a vida. Começou a acompanhar terapeuticamente algumas pessoas na cidade onde mora. Aquele espaço aberto ao cuidado direto, sem entremeios, sem outros a realizarem a interferência na forma como o cuidado se daria, foi ganhando espaço dentro dele. Novamente se via apaixonado pelo fazer. E corajosamente se permitiu escutar uma verdade que ressoava em si mesmo. " É disso que você gosta!"
Sim, faltava-lhe estar em contato direto, ocupar esse lugar. Sentia muita falta de atender as pessoas, de ter com elas o exercicio de cuidado pessoalizado. As dimensões burocráticas do trabalho que realizava (do qual pediu as contas) já não lhe conferiam forças e potências de vida.
Tudo isso que resumo agora, nessa escrita aqui, está presente num livro que ele escreveu. A desocupação. Conta parte do processo de retomada de seu cotidiano. De como foi para si a experiência de desistitucionalizar-se. Queria mesmo era saber se valia a pena, em que forma lançar os escritos . Um livro aberto aqui no blog? seria uma possibilidade. Quem sabe o primeiro ou segundo capítulo? Um e-book? Vou consultá-lo. E assim que tiver notícias, informo vocês por aqui.
* deixe aqui nos comentários sua opinião.
Att
André Miolo

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